Waldo Russo
Este artigo é uma continuação artigo de Sebastian Buckup (veja AQUI), de autoria de Waldo Russo (texto e figuras), propondo uma análise semelhante do original na busca de uma conexão entre a ficção cinematográfica lançada pós 2016 até e as condições socioeconômicas da época da sua produção.
A década seguinte ao período analisado por Buckup é marcada por uma produtividade baixa nas economias avançadas, estagnada em torno de um nível decepcionante de 1%, mesmo com a explosão de novas tecnologias.
O mundo plano celebrado por Thomas Friedman começou a ser dobrado de volta sobre si mesmo, com o desmonte inexorável da globalização, conquistada com grande esforço ao longo de anos. Tarifas, guerras comerciais e convencionais entre nações, a pandemia de 2020, a reconfiguração das cadeias de produção e o das políticas nacionalistas, recolocaram o medo no centro da imaginação coletiva. O nível de confiança global, que já estava baixo desde meados da década passada, não melhorou — apenas migrou para novas formas de desconfiança.
É exatamente esse clima que livros e filmes voltam a “dissecar”, para usar a expressão do artigo de Buckup, para retratar os sentimentos de uma época.
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