Waldo Russo
Este documento técnico aborda o crescente problema da superlotação da órbita terrestre baixa (LEO) e os riscos associados à chamada Síndrome de Kessler — fenômeno de colisões em cascata entre objetos orbitais. A análise percorre cinco trabalhos seminais publicados entre 1978 e 2026, articulando uma visão histórica e prospectiva do tema. Parte do marco teórico original de Kessler e Cour-Palais (1978), passa pelo modelo source-sink MOCAT-3 do MIT (2022), que calcula uma capacidade orbital teórica de até 12,6 milhões de satélites ativos, e avança pela documentação das megaconstelações atuais e seus impactos operacionais. Apresenta evidências recentes (IEEE Spectrum, 2025) de que a síndrome já está em curso entre 520 e 1.000 km de altitude, e introduz o CRASH Clock (2026), indicador que mede o tempo esperado até colisão caso as manobras evasivas cessem — métrica que caiu de 164 dias (2018) para apenas 2,5 dias (maio/2026). O texto conclui defendendo três frentes complementares de ação: mitigação intensiva, remoção ativa de detritos e governança global coordenada da órbita como recurso comum.
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